LARRY DAVID = GÊNIO

Curb Your Enthusiasm 810

Vi o último episódio da oitava temporada de CURB YOUR ENTHUSIASM, no qual Larry David é vizinho do Michael J. Fox. Fox, todos estão carecas de saber – e todos os personagens passam o episódio inteiro enchendo o saco do Larry lembrando-o disso -, tem Mal de Parkinson. Sério. Quase mijei de rir. Numa palavra, Larry David = GÊNIO.

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TRANQUEIRAS LÍRICAS em ESTÚDIO

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Em “Ponto Final” (Cia das Letras), ao falar da primeira e mitológica leitura pública que Ginsberg fez de UIVO, Mikal Gilmore lembra que um ano depois Elvis Presley ajudaria, “à sua maneira, a escancarar o portão. ‘Nós amamos Elvis’, diria mais tarde o poeta Gregory Corso, lembrando-se da noite em que ele e Kerouac viram Elvis no programa de televisão The Ed Sullivan Show. (…) UIVO e ELVIS. Nada seria igual depois disso”.

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Cito isso pra dizer que 1) Eu e meu parceiro Fabio Brum começamos a registrar em CD (Fotos Dani Dezan) o repertório de poemas e sons que integra nuestro espetáculo TRANQUEIRAS LÍRICAS – que ano passado completou 10 anos de estrada. Sempre fui reticente a essa ideia: o que fazemos é algo que, sei lá, só funciona ao vivo – include aí, obviamente, boa dose de cagaço da minha parte. Mas o Brum me convenceu. E bastou ouvir o primeiro “rascunho” do que fizemos ontem pra eu dar toda a razão a ele. Acho que vai ser uma brincadeira e tanto – além do más, como diria Caetano Veloso: “Por que não?”. Portanto, e fundamentales: PUTA ABRAÇO ao meu hermano Alexandre Morales e ao Beto Marsola, pilotos e companheiros foda do Estúdio JABURU

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E, 2) Cito o fragmento acima pra dizer, sobretudo, que de muitas formas esta é minha terra natal: “Uivo e Elvis”; em outras palavras: poesia e rock’n’roll. Ouié.

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ANITA EKBERG

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“Ela era de uma beleza sobre-humana. Vi seu retrato pela primeira vez numa revista americana: meu Deus, pensei, faça com que eu não a encontre jamais! Essa sensação de encantamento, de pasmo arrebatador, de incredulidade que experimentamos diante das criaturas excepcionais, como a girafa, o elefante, o baobá, eu experimentei alguns anos mais tarde, no jardim do Hôtel de Ville, em Paris, quando a avistei vindo em minha direção…”. FEDERICO FELLINI, sobre ANITA EKBERG (1931, 2015)

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EPÍGRAFES

No meu livro “Orfanato Portátil” tem um verso: “um amigo que diz que escreve só para colocar epígrafes” (in “Poema Estatístico”). Como um cantor dedilhando notas no piano tentando encontrar sua canção (Greil Marcus, sobre Bob Dylan), vivo caçando epígrafes para livros ou poemas. Para os que faço ou para os que jamais existirão. “Você pode até dizer que estou por fora/ ou então que eu estou inventando”, do Belchior, é uma delas. Acho até que a junção dessas epígrafes todas (“é muito difícil esconder o amor/ a poesia sopra onde quer”, do Murilo Mendes, é outra) daria – como naquela fábula do Borges – uma espécie de desenho de mim mesmo. Tem uma linda cena em MAD MAN, de Matthew Weiner. Don Draper está sentando na varanda da casa de uma amiga, bebendo uma cerveja, olhando para o nada. Com a qualidade de quem diz muito pouco, ele diz para ela que sente que sua vida está passando diante dele, e que ele tenta pular dentro dela, mas não consegue. Assim como a música escolhida pelo sonoplasta de uma peça para tocar durante a entrada do público no teatro, uma boa epígrafe dá um norte a um só tempo sutilíssimo e gigantesco de algo. Entrega tudo, e não entrega nada. Feito carta levando o Tempo num envelope, ou coisa estragada no estômago. Uma vez, estava com o meu filho mais velho no elevador, indo pra garagem do prédio em que morávamos. Ele tinha três anos e falou, do nada, que estava “tiste”. Na falta de fala melhor, disse para ele que era só mandar a tristeza cair fora. “É que não dá, pai. Ela tá ‘gudada’”. Desde então – como quando tentamos retomar a visão num recinto fechado vindo de uma claridade brilhante – isto virou uma pequena epígrafe para mim. O fato é que viver – parafraseando Leminski, que disse isso sobre hai-cais – exige muitas epígrafes. Mas é mais do que isso. Às vezes acho que todos os livros e poemas que escrevi e os que jamais escreverei – “Parecia estar seguindo a si mesmo para ver onde ia” (Willian Faulkner) – poderiam conter, no fundo do mais fundo, uma única e definitiva epígrafe. Do George Harrison, em Something: “I don’t knowwww, Iiiiiiiiii don’t know!”

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CRIADOR, CRIATURA

Mad-Men-Season-6

“Eu estava com 35 anos. Tinha um emprego numa sitcom de uma emissora (…) existem 300 pessoas nesse país com o mesmo emprego e eu sou uma delas. Tinha três filhos e… uma vida incrível. Bom, entende, eu pensava: ‘Mas qual é o meu problema? Por que estou infeliz? Por que existem tantas coisas me passando pela cabeça e eu não consigo expressá-las para outras pessoas porque tudo é medonho? E o que é o bastante? E um dia eu vou morrer’. Daí, eu fico diante de todas essas coisas e me pergunto: ‘Então é isso?’”.

[MATTHEW WEINER, criador desta obra prima chamada MAD MAN, a mais “selvagemente anti-TV” de todas as séries, lembrando “do pensamento que o havia levado a ouvir a voz de DON DRAPER pela primeira vez”. As aspas, bem como o trecho da entrevista, estão em “Homens Difíceis”, de Brett Martin.]

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AH, SEU VINÍCIUS…

(…)

 

Deveria vir de algum lugar

Um dedilhar de menina estudando piano ou o assovio de um ciclista

Trauteando um samba de Antônio Maria. Deveria haver

Um silêncio pungente cortado apenas

Por um canto de cigarra bruscamente interrompido

E o ruído de um ônibus varando como um desvairado numa preferencial vizinha.

Deveria súbito

Fazer-se ouvir num apartamento térreo próximo

Uma fresca descarga de latrina abrindo um frio vórtice na espessura irremediável do mormaço

Enquanto ao longe

O vulto de uma banhista (que tristeza sem fim voltar da praia!)

Atravessaria lentamente a rua arrastando um guarda-sol vermelho.

 

(…)

 

Eu poderia estar voltando de, ou indo para: não teria a menor importância.

O importante seria saber que eu estava presente

A um momento sem história, defendido embora

Por muros, casas e ruas (e sons, especialmente

Esses que fizeram dizer a um locutor novato, numa homenagem póstuma: “Acabaram de ouvir um minuto de silêncio…”)

 

(…)

 

VINÍCIUS DE MORAES

[in “Poema de Auteil”]

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THATS ALL FOLKS

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Parcialmente encoberto pelo Bruno Brum, e ao lado do Jaci Palma (olhando pra rua, ah, a rua…), digo alguma bobagem pra Bruna Beber (Fabrício Corsaletti aguarda a fotografia, mas ri na lateral), enquanto o garçom fazia a foto no celular do Fabiano Calixto, logo à frente do Marcelo Noah. Grande notche, como sempre. Que venga 2015.

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